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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Miss Imperfeita





Nunca fui linda. Na verdade, acho que demorei um certo tempo até me considerar uma pessoa razoavelmente “bonita”, e até a entender o significado do que hoje considero beleza. Quando eu era menina, nunca me achei  bonita. No colégio eu era a “inteligente”, a “simpática”, a “fofa”,  mas bonita mesmo acho que só minha mãe achava hehehehehe. Eu era gordinha, fato. Não gorda, gorda, mas cheinha, daquelas mais pra cheia que pra magra. Fui apelidada de “Bolha” pelo menino que eu gostava, imagine…
Usava óculos desde muito nova e aos 11 coloquei aparelho, entrando de vez pra estatística da feinha-gordinha-quatro-olho-e-de-aparelho. Eu nunca tive pé pequeno e sempre fui alta. Cresci primeiro que as outras meninas da turma, e na quadrilha nunca tinha par pra mim. O menino que eu gostava (aquele mesmo que me chamava de Bolha) era bem baixinho, e eu carrego até hoje o trauma de nunca ter dançado com ele (ô dó hahahaha).
Também nunca fui das mais atletas e sempre  era a última a ser escalada pro time. Meu lugar na aula de educação física era sempre o banco de reservas, e eu até que gostava, já que eu detestava jogar. Fazia natação e nunca gostei de competir. Acho que nunca participei de nenhuma competição. Eu gostava de nadar, mas sem pressa de chegar a lugar nenhum.  
Minhas amigas sempre foram mais bonitas do que eu e faziam muito mais sucesso. Mas, por incrível que pareça, antes que alguém comece a ter peninha de mim, eu não ligava muito pra isso. É sério! Na verdade, acho que eu sabia que não era bonita, que não ia ficar bonita, e achava normal gostar dos meninos que nunca olhariam (e não olharam) pra mim. Só gostava de longe, era amiga deles, e só. Também, nessa época, era mais aquela fase do platonismo mesmo, eu nem pensava em namorar ninguém de verdade.
Aí o tempo foi passando e eu fui crescendo. Crescendo e alongando, o que me fez perder aquela barriguinha (valeu natação!). Deixei o cabelo crescer, a franjinha crescer, saía sem óculos (com quase 4 graus de miopia! o.O) e desenvolvi a técnica incrível de identificar as pessoas de longe pela “mancha gráfica” e pelo jeito de andar. Posso até dar esse curso pra quem quiser! hahahaha
Meu primeiro namorado não estava entre os mais bonitos da turma, mas era um cara legal. Era o mais engraçado, e o primeiro que olhou pra mim de um jeito que não era "somos amigos, amigos do peito". Na verdade, acho que a gente se ajudou… Foi uma época que todo mundo da turma começou a namorar, 12, 13 anos. É engraçada essa fase, parece que todo mundo acorda um dia e pensa “vou namorar”, e no final do mesmo dia tá todo mundo andando de mão dada por aí.  Era namorico de portão, de pipoca dançante, e com meu pai me buscando meia-noite na porta do clube no final. Terminamos porque ele se mudou da cidade onde eu morava.
Depois de algum tempo namorei outro carinha. Foi meu primeiro namoro mais sério, daquele que o pai deixa andar de carro sozinha, sair e voltar a hora que quiser. O primeiro que entrou lá em casa em dia de domingo pra almoçar com meus pais… Ele era bem bonitinho, simpatiquinho (todas as minhas amigas achavam). Pra me conquistar, ficava me mandando recado por uma amiga, perguntando por mim, e eu, que não estava muito acostumada com esse tipo de galanteio, me encantei pelo moço...  Me encantei e me ferrei! Passados os primeiros meses do mar-de-rosas de começo de namoro, tudo começou a virar realidade, com todos os problemas da convivência. E eu, com todo aquele histórico da “feinha da galera”, que nunca tinha namorado ninguém direito antes, passei a me culpar por tudo que não dava certo (Eike Absurdo! Eike Loucura!).
“Ah, ele vai sair com os amigos dele? Então eu devo ser uma companhia muito chata mesmo!”. Comecei a achar que eu era chata e feia (feia, na verdade, eu sempre achei…). Coisa boba mesmo, coisa de menina sem parâmetro, sem personalidade formada (ai se isso fosse hoje!). Imagina namorar um cara cujo padrão de beleza feminina era Carolina Ferraz! (hahahahahaha) Logo eu que sempre tive pernão e bundão. Por algum tempo eu desejei ser bem magra e esquelética. Quis ter cabelo liso e usar roupa de Paty com salto-alto-no-supermercado. Passou. E, é claro, no dia que eu percebi o estrago que isso fazia em mim mesma, o quanto a gente era diferente, e o quanto eu queria mudar a mim mesma pra me adequar ao padrão dele, terminei o namoro. Foi um alívio, confesso.
Não engatei romance nenhum em seguida e passei bastante tempo comigo. Isso foi a melhor coisa que eu fiz... Aprendi a me gostar sem precisar que ninguém me diga que eu sou bonita. Aprendi a enxergar imperfeições como coisas normais, e até a gostar de cada uma delas. Hoje eu me acho bonita. Não me acho linda, nem quero ser. Não me acho perfeita, nem quero ser. Sempre tive perna, bunda e celulite, e isso não me incomoda mais. É claro que eu me cuido, mas também me permito , sem grilo. Percebo a pessoa que eu sou, e sem aquele papo chato de “beleza interior”. Me gosto, me curto, me odeio, me amo, aprendo, erro, insisto e bato cabeça na parede às vezes.
Aprendi a gostar de mim do jeito que eu sou (com celulite e sem peito). Mudo o cabelo quando eu quero, pinto a unha da cor que eu quero, uso a roupa que eu quero.  Falo sozinha, dou risada de mim, choro, quero morrer raríssimas vezes (desconfio de gente que nunca quis/quer morrer  pelo menos uma vez! hahaha). Não vou dizer que não sofro de vez em quando. Sofro. Não vou dizer que não me acho feia. Acho. Não vou dizer que amo meu cabelo sempre.... Tem dias que quero passar máquina zero nele! Fora os amores não correspondidos, o se sentir rejeitada e o chorar vendo filme romântico... Tudo isso eu faço! Mas dura pouco, e depois eu volto a entender que tudo passa, que eu sou legal, e que eu não vou morrer! hehehehe
Gosto de mim com tudo isso, e por tudo isso, e gosto de quem gosta de mim assim, desse jeito que eu sou. Homem que só vê peito e bunda eu passo (nexxxxxt!). Homem que procura uma Gisele que não precisa abrir a boca pra falar, eu também passo. Homem que quer uma Amélia (Adele?) que vai largar a carreira pra cuidar dele, eu também não quero não seu moço, gradicida!
Sou bem feliz do alto dos meus 31 anos de vida, e não ligo a mínima de falar minha idade num blog pra todo mundo ler. Tenho orgulho de mim, com toda a minha bagagem, com todas as minhas pré-rugas, com a minha pele (que não é mais de 15 anos), com meu cabelo cacheado assumido, com todo o meu senso de humor, minha loucura, minha delicadeza, minha brutalidade, minha razão, meu coração, meus desejos, culpas, medos, coragens e afetos. Cuido do meu corpo, mas isso não é a grande e única prioridade da minha vida. Não vou passar 12 horas malhando numa academia, nem vou fazer dieta a vida toda. Cuido da minha cabeça. Cuido do meu coração.
Sou de verdade e inteira. Se você tem medo disso seu moço, melhor nem se aproximar! Eu mordo mesmo!  Tenho horror a homem covarde e babaca. Tenho pavor de tédio, não dependo de ninguém pra viver (graças a Deus!), gosto do que eu faço e pago minhas contas com o  meu trabalho, gosto de estudar, gosto de aprender com a vida, e esse povo que tá na vibe “tô aqui esperando a vida passar e as coisas cairem do céu” não me agrada.
Gosto de quem me vê direito, de verdade, e que sabe achar defeito bonito. Até por que não é defeito gente, é diferencial! 




PS: Esse post não é auto-ajuda, nem é pra vocês ficarem me falando que eu sou bonita! hahahaha É só um desabafo que eu escrevi há um tempo pra mim mesma e que achei legal compartilhar. Vai que, mesmo sem ser auto-ajuda, eu acabo ajudando alguém, né? ;) 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". 

__Caio

sábado, 3 de dezembro de 2011

Na terra do coração passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se p6os. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.

Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração é teu.

Mais Caio F. Abreu aqui.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Momentinhos...



"OUTRO DIA, depois do almoço, estava eu em casa, deitada num sofá, sem fazer nada. Liguei a TV bem baixinho, só por vício, e meus gatos, que não me largam um minuto, vieram e se instalaram pertinho de mim: Jujuba com a cabeça deitada na minha perna, Haroldo na barriga dela, os dois dormindo.Era um momento de tal paz, que pensei: "ah, que momento bom estou vivendo". E pensei que durante os dias, todos os dias, se vive momentos bons, só que não nos damos conta porque não prestamos atenção. Às vezes eu saio da ginástica e passo pela barraca da feira onde costumo comprar frutas, mas estou sem dinheiro, e o feirante, depois de dizer que eu posso pagar depois, insiste: "leva três mangas, estão doces como mel". Corta uma fatia com uma faca bem amoladinha e me dá para provar. Não é maravilhoso? E quando eu digo que só vou levar uma, porque moro sozinha, e ele diz "mora sozinha porque quer", não dá vontade de dar uma boa risada? E não é para achar que a vida é boa?Quando chego de viagem cansada, entro em casa e está tudo em ordem: a cama arrumada, os lençóis limpos, a geladeira com as coisas que gosto; aí tomo um bom chuveiro e me jogo na cama, sem um telefonema para dar, tem alguma coisa melhor? Acordar, abrir a janela e ver que está um dia lindo, de sol e céu azul é uma alegria; mas quando o tempo está cinza e chovendo também pode ser muito bom; bom para ficar em casa, botar uma meia de lã, um suéter velho e ficar bem quietinha, lendo um livro. Não é também glorioso? Todos esses momentos são especiais, mas é preciso prestar atenção; são muitos por dia, nenhum deles têm grande importância, são apenas momentos, e a maior parte das vezes a gente nem percebe; mas não é deles que a vida é feita?Aprendi, não sei como, a captar muitos desses momentos; é sempre inesquecível, a chegada a uma cidade que não conheço e onde não conheço ninguém, onde tudo é novo, e se eu nem sei falar a língua, melhor ainda. É o desconhecido, que pode amedrontar ou ser fascinante -e por que não escolher o fascínio? E tem aquela hora em que, na sexta-feira, você terminou todos os trabalhos, fecha o computador com a sensação do dever cumprido, e aí também não tem nada melhor. E quando você vai à praia cedinho, se deita na areia e sente aquele sol ainda morno no seu corpo, e pouco a pouco ele vai esquentando? Aí você entra no mar, dá um belo mergulho, e volta com um pouquinho de frio e apanha mais um pouquinho de sol, tem melhor? E o chuveiro que você toma quando chega em casa e sai do banheiro enrolada numa toalha, cheirosa do sabonete e do shampoo, tem alguma coisa tão boa? Não há um dia em que eu saia para caminhar na Lagoa que não pense em como a paisagem é linda, como é bom estar em boa saúde e poder andar bem depressa, que quando chegar em casa vou tomar um banho de banheira para relaxar e não tenho nenhum compromisso para a noite, isso não é felicidade pura? São tantas coisas bobas e boas que nos acontecem e que não notamos, e que se notássemos poderíamos ser bem mais felizes. Mas uma coisa me deixa curiosa: todas as lembranças que tenho desses bons momentos, momentos inesquecíveis em que não aconteceu nada de extraordinário, eu estava só. Claro que houve outros, de amor, amizade ou paixão que foram maravilhosos, mas dos que eu me lembre mesmo, eu estava só. O que será que isso quer dizer? 
Que não precisamos dos outros para sermos felizes? Que dependendo de como somos podemos ter momentos de grande felicidade que não dependem de ninguém, como costumamos pensar? Desconfio que sim, e só sei que a vida, acredite, é muito simples e muito boa." 

Danuza Leão

Vi aqui no blog da Melon, que hoje tá toda feliz com o Mig em casa! Beijos Dani!


terça-feira, 16 de novembro de 2010

#MinutosDeSabedoria: Danuza Leão

Duas bolas, por favor!


Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa,contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido. 


Uma só. 


Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. 
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação. 


O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. 
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. 
A gente sai pra jantar, mas come pouco. 
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. 
conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). 


Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta./ 


Tem vontade de ficar em casa vendo um dvd, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar./ 


E por aí vai. 


Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão... 


Às vezes dá vontade de fazer tudo “errado”. 
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. 
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. 


Recusar prazeres incompletos e meias porções. 


Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo. 
Um dia... 
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate... 
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.











Bolsinha

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Minutos de Sabedoria de Manoel de Barros









































"(...) E vi as borboletas. E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bentevi."

Manoel de Barros

Texto extraído do livro (caixinha) "Memórias Inventadas - A Terceira Infância", Editora Planeta - São Paulo, 2008, tomo X, com iluminuras de Martha Barros.



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

#Alokadazunha - Hoje fez verão

E aí que hoje "fez verão" aqui no Ridijanêro e eu resolvi terminar o dia na praia.
yabadabadúuuuuuu!!! \o/
Esse é o lado bom do horário de verão... Olha o sol de 5 da tarde! :O

Viva o horário de verãooooooo! \o/ eeeeeeeeeeeeeee!!!!! :D














































E como o post #alokadazunha de hoje tá todo trabalhado no verão e nas fotos stáile, o esmalte escolhido foi o Rosa Tropical da coleção Aquarela Tropical Colorama. É um rosa quase coral! Lindo!!!
Só não curti que ele é levemente cintilante... Não gosto porque fica sempre meio brega parece que fica opaco mais rápido... Mas curti a cor e resolvi dar uma chance! ;)

Até que ficou legal, néam? E pra embalar uzovido no clima...


Viram como eu já tô toda trabalhada no verão? #GarotaDeIpanemaFeelings  :D

#Tiamu Ipaneamam
#Tiamu Ridijanêro
#Tiamu Verão
#Tiamu horário de verão
#Tiamu esmaltes de verão

hahahaha




Bolsinha Summer

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Drummond

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pra guardar...

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Clarice Lispector




domingo, 4 de abril de 2010

Achei bunitu...

"Não sinto loucura no desejo de morder estrelas, mas ainda existe a terra. E porque a primeira verdade está na terra e no corpo. Se o brilho das estrelas dói em mim, se é possível essa comunicação distante, é que alguma coisa quase estrela tremula dentro de mim."


Clarice Lispector.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Mandamentos

ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS, CLEAVELAND, OHIO. 

“Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. Meu taxímetro chegou aos 90 em agosto, então, aqui está a coluna, mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Desfaça-se de tudo o que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite “não” como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se bastante; depois, se deixe levar pela maré…
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada “chamado” desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva…
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que você fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem. 37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça. 44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente.”


Achei aqui no Fashion Melon
Super tô seguindo essas dicas para uma vida melhor! <3

sábado, 12 de setembro de 2009

Ser ou não ser criativo? Eis a questão.

Hoje em dia é muito comum ouvirmos coisas do tipo: “temos que ser criativos”, “o mercado de trabalho hoje exige criatividade e inovação”. Criatividade é uma coisa muito necessária, isso não se discute, mas será que somos educados para termos esse tipo de postura diante da vida? 

Acho que toda criança é criativa. Está descobrindo o mundo, experimentando as coisas, se deslumbrando diante daquilo que vê. Tudo é novidade, tudo é um acontecimento. Peça para uma criança fazer um desenho e ela fará, do seu jeito. Mas peça para um adulto fazer um desenho e ele responderá de imediato: “não sei desenhar”. A verdade é que aprendemos a “não” sermos criativos à medida que vamos crescendo, ouvindo os adultos falando o que devemos (ou podemos) fazer, o que é certo e errado, o que e bonito ou feio.  

Lendo um texto sobre criatividade, fiquei pensando: “Puxa, mas também não tem como não aprendermos com os adultos!” Afinal, aprendemos a própria cultura dentro da qual estamos inseridos, e isso nos é passado pelas pessoas que já estão no mundo há mais tempo que nós e que já a aprenderam. Mas pensando bem, acho que existem maneiras e maneiras de aprender tudo isso.  

Temos que aprender o que é certo ou errado sim, mas isso não precisa ser uma imposição. Acho também que os pais precisam estimular seus filhos para que descubram sozinhos algumas coisas. A criança precisa se sentir à vontade para tirar suas conclusões, para fazer algumas coisas do seu jeito. 

Tenho dois sobrinhos, Guilherme de 1 ano e meio e Ana Júlia de 9. Guilherme está naquela fase em que aprende tudo (uma infinidade de coisas!) e muito rápido. Muitas vezes surpreende todo mundo quando a mãe diz que tem que limpar o nariz del, e ele aparece com um pedaço de papel higiênico na mão. Ana Júlia é uma menina muito esperta. Gosta de se arrumar e tem muita opinião - até sobre o que quer ou não vestir. Mas outro dia observei uma atitude curiosa dela. Há pouco tempo atrás, Juju fazia mil desenhos e me dava de presente. Eu fiz uma pequena galeria de arte na minha geladeira com os desenhos dela (todos muito coloridos e espontâneos). Mas agora ela deu pra achar que os desenhos dela são feios, que ela não sabe desenhar direito e só quer saber daquelas revistinhas com desenhos prontos para colorir (que eu detesto!). Fiquei chateada com isso! Por que agora ela está pensando assim? 

Na certa, ela está aprendendo (ou porque alguém falou, ou porque andou vendo desenhos mais “perfeitos” que o dela) que os desenhos dela não são tão bons e fica com “vergonha”de fazê-los. Onde está o problema? 
O problema está justamente no NÃO que ouvimos o tempo todo, até de nós mesmos: “Não faça isso!”, “você não pode desenhar assim”, “uma flor não é assim”, e por aí vai. Muitas vezes nem são os pais que dizem isso. Às vezes a criança vê isso na TV, na internet, vê os desenhos dos coleguinhas e acha que o seu não é tão bonito, escuta uma conversa de adultos e entende assim...  

Na escola também - com algumas raras exceções -  geralmente não somos estimulados a termos uma postura criativa. O que vemos muitas vezes é aquele velho formato: “professor coloca a matéria no quadro, todo mundo copia, professor explica, todo mundo faz o dever de casa – que é bem dentro daquilo que o professor explicou – e no final todo mundo faz uma prova “decoreba” do assunto”. Os professores raramente estimulam os alunos a buscarem conhecimento em outras fontes que não sejam o livro adotado pela escola. Não vemos atividades diferentes como uma ida a um museu ou um parque florestal. Fica sempre aquela mesmice da sala de aula que não dá margem para ninguém agir de uma forma diferente. Não dá liberdade para que o aluno busque conhecimento de acordo com seus interesses. Não tem espaço nem para ouvir os alunos, nem mesmo um tempinho para que eles falem do que descobriram ou viram na internet. Aí, depois de tudo isso, querem que todo mundo seja criativo no trabalho. Como? 

E como fica o designer, numa profissão em que “ser criativo” é fundamental e essencial? Sou publicitária e trabalhei por muito tempo em agências de propaganda. Quando estava na faculdade ficava sonhando trabalhar em uma agência. Imaginava um ambiente criativo, lúdico, cheio de gente criativa e com roupas legais. Divertido, não? Mas quando cheguei no mercado vi que a coisa não era bem assim... Passava o dia inteiro em uma sala fechada, sem janelas, de frente para um computador, e tendo que criar em cima de briefings de uma linha como: “criar uma marca para uma rede de salões de beleza”. Como ser criativo desse jeito? 

Isso sem falar na pressão, na correria porque “o anúncio TEM que sair no jornal de domingo e o cliente TEM que aprovar porque vai viajar para a praia no fim de semana”. Perdia a hora do almoço quase sempre, dormia pouco, não tinha tempo para andar na rua e ver a vida, entrava no trabalho com o sol e saia quando já estava escuro, não tinha tempo para ler revistas ou ver filmes (bagagem mais que necessária para um publicitário!), e como resultado ganhei uma gastrite nervosa. 

Larguei tudo e quase desisti de ser uma “criativa”. Pensei em seguir carreira acadêmica  e deixar o lado criativo para meus futuros alunos. Mas hoje vejo que não, que é impossível eu não ter essa postura criativa. Que até minhas aulas têm a minha cara, e que eu quero sim “criar” coisas. E estou tentando fazer isso de uma forma menos agressiva para mim.  

Acho que ser criativo é um exercício diário. É pensar de uma maneira diferente, olhar as coisas por outros ângulos, se manter informado, ter tempo para pensar e repensar, viver a vida de uma maneira mais light. Não dá pra entrar naquele furacão louco da rotina e deixar tudo isso contaminar o que há de mais bonito na gente!

Tem gente que só consegue ser criativo no meio do caos. Pode até ser que dê certo, mas a longo prazo isso acaba com qualquer ser humano. Por isso, escolhi ter tempo para mim e exercer a minha criatividade em paz. Acho que é assim que funciona. Pelo menos comigo...




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